Haja mentes abertas

É um tema que tenho falado ultimamente com diferentes pessoas, família sobre tudo. E parece-me nunca passa "de moda". Curiosamente, ou não, é algo que tem aparecido nas notícias também. Seja porque fazem estudos sobre o assunto, seja para contar "histórias", seja por que razão for. Hoje deparei-me com um artigo no JN que falava sobre o querer trabalhar mais de dois portugueses que foram para fora, há 10 anos, e em como esse excesso de trabalho foi de certa forma criticado e "rejeitado". Os estagiários em causa deveriam sair a tempo e horas como todos os seus colegas. Isto passou-se na Alemanha e em São Francisco. Ora bem, passados 10 anos e tendo bastantes exemplos pelo mundo fora e cá dentro também, a verdade é que penso que se chegou a um ponto em que tudo tem que ser feito para ontem, em que tudo tem que ser feito a 1000 à hora, com qualidade, ao preço mais baixo e pelo menor número de pessoas possível (para diminuir custos também dá jeito). É óbvio que dias não são dias e qualquer negócio tem dias e fases. Ahh e cada área é uma área.

Se por um lado não concordo com essa forma de trabalhar, tira anos de vida, aumenta o stress em 1000 e tudo o que daí vem, compreendo quem o faça, aceito. Até um certo ponto. A partir do momento em que mais de a maioria faz isso, o empregador assume que tem que ser assim para todos e altera as leis de mercado.  Temos os "mandriões". Eu vejo o meu irmão todos os dias a ir para casa não antes da uma da manhã e sair de casa às nove na melhor das hipóteses. E dizem-lhe que é o mínimo. A minha mãe concorda e incentiva porque é o início de carreira e deve-se dedicar. Eu sei que ele está prestes a explodir. Mas isso não interessa. Eu sei que o que ele faz deveria ser feito por três ou quatro, mas isso não interessa porque ia aumentar o número de ordenados ( e diminuir o desemprego, mas paciência para isso também). E quem diz o meu irmão diz uma data de amigos cá e lá, em bancos, escritórios, multinacionais etc, etc.

Sei que existe uma filosofia de "quem quer subir na vida e ser alguém prossionalmente, tem que se sujeitar". Sei que também já trabalhei e era criticada por sair mais cedo, mesmo sendo já bem depois do expediente e de todo o trabalho feito, porque tinha uma vida e assim parecia que não trabalhava. No entanto sei de quem lá ficava até as 10h da noite, e todas as noites, e que me disse por diversas vezes que ficava a jogar "bolinhas" mas que o chefe ficava contente porque só via que estava em frente ao computador e não via o que fazia mesmo, mas pelo menos não a chateavam. No fim da semana o volume de trabalho feito era o mesmo. Ela era acarinhada, eu despedi-me porque não funciona comigo - e convenhamos, não era o emprego da minha vida e não estava desesperada por dinheiro. 

Há diversos e variados estudos que mostram como o ter-se uma vida aumenta a produtividade. As pessoas são mais felizes, logo trabalham melhor (especialmente as mulheres, conclusão do estudo mais recente), pelo menos a maioria. Há diversos países em que as horas passadas no escritório são bem aproveitadas em vez de mil cafés e pausas para fumar e sei lá mais o quê e fazem em bem menos horas o mesmo trabalho que muitos que saiem às quinhentas. Sou a favor da eficiência. Acho óptimo quem se quer dedicar ao trabalho a 250%, quem não vê mais nada a não ser trabalho, quem vive para trabalhar. Pessoalmente não. Dedico-me com tudo o que tenho, mas não deixo de viver. E ainda bem que há de tudo no mundo. Porque se fôssemos todos mais do mesmo seria uma infelicidade. Seria aliás uma grande tristeza até para as futuras gerações, crescerem sem ver os pais, com os princípios e valores sabe-se lá de quem, a pensar que tem que se trabalhar e trabalhar e trabalhar e apenas trabalhar. Há mais na vida para além de trabalho, para mim.



...if you're homesick, give me your hand and i'll hold it
People help the people...
..if I had a brain
I'd be cold as a stone and rich as the fool...

E se fosse mesmo algodão doce?


Parece que me bateram

Sonhei que corria e corria e era como se praticamente não saísse do sítio. Tudo se passava em câmara lenta em mim, à minha volta tudo era de uma velocidade normal. Canseira. Acordei cansada. Já nem me lembrava que hoje era feriado. A cidade cheia de coisas para aproveitar e eu fechada em casa a estudar. Se não fosse estudar seria trabalhar (hoje não, espero!, nos outros dias da semana). De qualquer forma não ia aproveitar tanto quanto gostava. Canseira. Acordei cansada. Vou até ali abaixo deixar o que me resta de energias no Douro. No caminho de volta hei de encontrar a reserva energética que me vai manter acordada o resto do dia, com a cara dentro dos livros. Canseira. Acordei cansada.

O consciente esconde coisas fantásticas

Garfield

Aqui há um tempo foi-me dado a conhecer um local na net onde criam crachás - o Monstro Preto. Tive uma sensação de familiaridade, não sabia explicar porquê, mas sempre (quase sempre?) que via um novo crachá a aparecer apetecia tê-lo. Nem sabia bem para pôr onde e muito menos porquê. Este fim de semana, em conversa descobri. E tem tudo a ver com um dentista. Lá na cidade onde vivi quando era pequenina havia um senhor que tratava dos dentes. A minha mãe sempre foi muito cuidadosa com esse aspecto e ainda bem. Sempre me lembro de adorar lá ir - coisa que os miúdos detestam. Ainda hoje ir ao dentista é algo que não me aflige, antes pelo contrário, gosto. Pois o senhor tinha uma táctica incrível. No fim de cada consulta ele oferecia... um crachá! Não só ficava distraída toda a consulta a pensar qual poderia escolher, como no fim saía feliz e contente por ter algo novo. Tudo tem uma explicação!