As visitas da Tété têm-se revelado óptimas (não que eu não tivesse à espera) e uma excelente companhia. Falamos, falamos, passeamos, falamos, jantamos, e por aí fora.. Mas ontem aconteceu algo especialmente engraçado. Não sei se vai ter tanta graça contado como a situação real, mas.... Depois de um longo dia de trabalho para as duas, que a ela evolveu chegar ao hotel com um salto partido, um teste de 6000 metros no érgometro para mim, uma passagem pela batalha para entregar documentos, finalmente conseguimo-nos encontrar. Onde vamos jantar? hummmm vamos à Cufra! E fomos. Depois de um telefonema que me deixou a mil à hora, conseguimos pedir o jantar. Mas a mil à hora.. a Carolina tinha que exteriorizar o que se tinha passado, e então falei falei falei, gesticulei, indignada, até que de repente reparei num senhor (que acabou por se revelar bastante castiço) sentado ao balcão que olhava para mim como se fosse louca e se ria como se tivese a ver um filme cómico. Bem.. escusado será dizer que o jantar passou-se nisso, entre as conversas, a Tété via o jogo Portugal-Finlândia e eu tentava abstrair do senhor que meia volta olhava para mim e se desatava a rir... Por volta das 11, já se fazia tarde e resolvemos ir embora para ainda dar uma volta pelas galerias. Eis se não quando, o senhor, acompanhado de um jovem, vem à nossa mesa, pede desculpa, mas não queria que eu tivesse interpretado mal o facto de ele se ter rido o tempo todo... mas que me achou uma figura muito interesante, que eu lhe fazia lembrar a Joana d'Arc! Que me viu a gesticular, sempre muito expressiva e achou que eu era diferente, num bom sentido, e para continuar assim desinibida. E que tinha umas mãos lindas (deve ter sido porque não lhe mostrei as palmas das mesma...). Eu não sei o que o senhor queria dizer com tudo isso, mas tanto eu como a Tété dizíamos que não levávamos a mal e ríamo-nos. Acabámos por perceber que o senhor era arquitecto, o avô dele foi um escultor famoso (António Pombo), que fez a estátua de Nossa Senhora de Fátima (entre muitas outras, muito melhores segundo o neto), assim como uma estátua do Menino Jesus de Braga, que está numa igreja ao pé da estação de S.Bento (que eu agora não me lembro do nome). Enquanto ele nos ia contando histórias e fazendo perguntas, o miúdo dizia-lhe "Sr. Arquitecto, vamos embora!" ao que ele lhe respondia "Contigo falo depois, hoje não tenho saldo!", era um senhor bem humurado sem dúvida. Foi quando o senhor perguntou se se podiam sentar para continuar a conversar que decidimos mesmo que já eram horas de irmos. E fomos. Ainda demos uma volta, a Tété apaixonou-se pelo Porto e prometeu que em Março ia arranjar um espaço na agenda para passar cá o fim-de-semana. Episódios destes dificilmente se passariam em Lisboa...
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