Sábados


Confesso que me custou quando ouvi o despertador, pensei de imediato "paciência, vou mais tarde, ou talvez nem vá de todo!" Assim que realizei o pensamento, saí da cama. Basta de ser preguiçozinha, este é o dia de voltar a atinar. E foi assim que saí de casa nem cedo, nem tarde, apenas às 8.50 da manhã. Matei saudades, treinei e fui gastar dinheiro. Em mim-mim, para variar e não mim-casa, but still money. Era preciso, de vez em quando tenho que me cuidar, se não começa a ser o caos. E nós não queremos isso! Casa, dia de limpezas, um almoço saudável, já tinha saudades de cozinhar só para mim sem a pressão do "e se não gostam?" (que nunca ouvi, mas há sempre a primeira vez!), soube bem. Tudo arrumado e é então que resolvo ser turista. E saio. Máquina na mão, chaves, telemóvel e 15 euros, just in case, aqui vou eu. E o que um Sábado solarengo me revela nesta cidade é bem agradável. Desde feirinhas de antiguidades, gente sorridente, prédios que nem parecem tão podres assim, música e vontade de andar e andar. As fotos juro que as tirei, chegada a casa não sei do cabo... talvez esteja no trabalho. Génio! Enquanto passeio questiono-me acerca da religiosidade do povo desta cidade mais e mais, não só pela inúmeras igrejas lindíssimas que existem (hoje visitei a dos Congregados), mas porque ouço bastante "ai Jesus", em tom de suspiro, da boca de vários senhores de alguma idade, entenda-se acima dos 55 em média, à medida que passo por eles. Coisas... Ainda vou à exposição de estátuas dos Aliados, passeio pela Miguel Bombarda, o que me dá direito a umas compras - leia-se vestido - e regresso à realidade. Ou seja, dar a volta para chegar a casa agora como moradora. Páro na tabacaria da transversal da minha rua e compro o Expresso. Lancho e leio. Querem ver que agora sou tão crescida que já compro o jornal só porque me apetece lê-lo? Wierd things happen, mas havia de chegar o dia. Para não ser um choque muito grande começo pela revista. Acho piada aos diversos artigo que fazem alusão à palavra "barraca". Chama-me à atenção uma frase que está isolada. É de Maria do Céu Guerra, actriz e encenadora que dirige A Barraca há 33 anos. 

"Trocaria alguns espectáculos para poder ter estado mais com os meus filhos."

Simples e verdadeira. Acredito que cada vez mais irão existir mulheres com este pensamento a passar pela cabeça, assim que tudo está crescido e é altura de abrandar a vida de trabalhadora. Neste mundo que parece cada vez mais um turbilhão, que todos querem andar mais velozes que a luz. Que todos querem tudo. Ao tudo escapa por vezes o essencial. Eu penso que espero nunca pensar estas palavras. Eu sinto-as por esta ou aquela razão não como mãe, como filha. Sei, agora à luz da distância, porque tudo faz mais sentido quando a distância se junta à equação, que deve ser uma forma de amar. Uma forma de querer dar tudo. De não querer falhar, de não querer que seja como foi. De querer mudar. E a realidade é que pouco muda quando não se sabe o que é suposto mudar, quando se tenta mudar algo só porque sabemos que não gostámos, que queríamos que algo fosse diferente. É preciso parar, observar e pensar no que se quer realmente mudar para ser possível mudar. Se não é apenas tudo uma repetição inconsciente do que já foi. 
Vou continuar a minha vida de moradora. Vou jantar fora com amigos. Turismo, a repetir, só no próximo Sábado. 

Sem comentários: